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O Porco Preto

A Tragédia dos Comuns

Dezembro 7th, 2006

Há uma antiga lenda anglo-saxã que fala sobre uma tal Tragédia dos Comuns. O mundo germânico, cuja resistência à cristianização nos moldes romanos começou com o Arianismo e culminou com a Reforma de Martinho Lutero, sempre me chamou a atenção e esta lenda é particularmente saborosa.

Ela fala de um povoado medievo em que pastores de ovelhas dividem a mesma terra sem que haja limites ou divisas de propriedades entre eles. A espécie de comunismo primitivo que todo povo incivilizado e ignorante experimenta antes de conhecer as maravilhas do Camembert ou do pudim de laranja.

Pois a vila cresce e os seus filhos se multiplicam, como o bom velhinho bíblico ordenara, e crescem juntos os rebanhos, as pulgas e a falta de higiene. Com a expansão dos rebanhos aumenta a pressão sobre o único recurso natural de que dispõem, o pasto sobre a terra. “O que pertence a todos não é tratado com desvelo pois todos os homens dão mais importância ao que é seu do que àquilo que possuem em coletivo”, dizia um pederasta grego muitos séculos antes desta história. Mario Quintana, que os afeminados gaúchos amam citar, dizia que “filosofar resta inútil, não há nada no mundo das idéias que algum pederasta da Hélade já não tenha endereçado e resolvido”.

Nas contendas que se seguem formam-se dois partidos: os que preferem que se divida as terras em frações ideais e igualitárias e cada um cuide do que é seu e os que preferem que a comuna prossiga em seus modos igualitários de ser. Um partido tem seu Mário, outro seu Sila (que Alá esteja com ele).

Passam-se os anos e os homens da aldeia jamais chegam a um termo sobre os perrengues - em discussões intermináveis que deixariam os bizantinos roxos de inveja. Termina que qualquer outro pequeno desequilíbrio - não se sabe ao certo qual, pois que desta tragédia não resultaram sobreviventes - todo o povoado perece da mais pura e genuína fome, num exemplo de martírio apostólico romano capaz de render beatificações, fossem os mártires civilizados ou, vá lá, monges irlandeses.

É uma lenda pedestre e sempre rejeitada por qualquer pessoa de bom coração - as mesmas que sempre estão no partido de Mário - e que demonstra claramente os motivos da derrocada do mundo anglo-saxônico a que temos assistido nos últimos oitocentos anos desde a publicação da Magna Carta e seus inaceitáveis preceitos sobre as liberdades individuais.

Um comentário para “A Tragédia dos Comuns”

  1. Comentário número 1 por: gaudério campeiro

    o meo, seguinte, ece máriu kintana, morreu tarde, velho fdp.. qé fala açim dos gauchos, vai te fude caralho da porra.

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