O autismo gaúcho
Novembro 6th, 2006Só o autismo social dos gaúchos pode justificar a crença numa pesquisa dessas por parte de gente que, alfabetizada, devia usar a cabeça para pensar um pouco, além de deslizar os olhos por letras encadeadas. Vamos aos fatos:
A pesquisa, que se quer científica, sugere que trinta e dois por cento dos gaúchos compram pelo menos um livro por ano. Isso, numa população de dez milhões de pessoas dá três milhões e duzentos mil consumidores, maior que a população do Uruguai e Vanuatu inteiros. Aplicando todos os números, que estimam que cada gaúcho consome 5,5 livros por ano, em média, tem-se o espantoso - e autista - número de cinqüenta e cinco milhões de livros vendidos por ano somente no estado. Pois é.
Isso não de se espantar no estado que já foi o “estado da participação popular” e que é o fiel depositário de um banco estatal que gera um bilhão de reais de prejuízo por ano, mas é “Melhor por que é nosso”, e em que tudo, do churrasco às mulheres, do pôr-de-sol no Guaíba à maior Ponte Sobre o Guaíba do Mundo, é o maior e melhor.
Autismo é o nome da enfermidade. Voltaremos a falar sobre isso em breve, enquanto a lei do Azeredo Mensaleiro Valeriodutano não banir de vez a liberdade de expressão, a última coisa com algum valor que nos resta no país dos vira-latas.
Falou o repórter Porco Preto, proxeneta ocular da História.
[…] Esses dias estava falando com um amigo economista radicado nos EUA que publicou um artigo sobre o nível de investimento chinês e o risco de quebradeira que corre o país dos chinas-pau, principalmente por causa do sistema bancário nebulosíssimo da People’s Republic of China. Ele se horrorizou com a informação de que há muitos anos o nível de investimento brasileiro não passa de 5% do PIB, sendo otimista (para números exatos, pergunte ao seu economista sem viés favorito). Outro amigo meu diz há anos, insistentemente, que os gaúchos sofrem de autismo social e político. Eu creio que o mal, infelizmente, se alastrou pelo resto do país. Mas - você pergunta - quais seriam os sintomas desse tal autismo, meu caro Rico Ferrari? Um bastante claro seria crer que o Rio de Janeiro é uma cidade turística e Nova Iorque não, por exemplo. […]